Sou a louca, muito prazer!
Por quê? É essa a pergunta? Nenhuma melhor a fazer?
Sou louca porque vivo no hospício da humanidade
Amo a liberdade, me deleito com a insanidade
Adoro atrair loucos como eu, pois normalidade me cansa, me frustra
Correr atrás do desconhecido pouco me assusta
Adoro ser louca, sei que não agrado a todos, melhor assim
Pois que chato seria ser perfeita, seria o fim
E reafirmo que vale a pena sonhar
Juntar sonhos com loucura e realizar
E não se escravizar por coisas que na verdade não nos fazem felizes.
Melhor ser um ser perdido, sem directrizes
Não sei esperar a boa vontade do dia de amanhã
Esse é um dia que pode demorar e já estarei anciã
Atropelo mesmo, porque quero pra ontem, pra hoje e não pra amanhã, pois amanhã é um dia que talvez não chegue
Talvez em seus braços o destino lhe carregue
A minha loucura chega quando o sol desperta, quando a lua desponta no horizonte
Tenho gana de beber a água da mais pura fonte
Breves momentos de lucidez ainda os tenho, mas prefiro mil vezes a loucura
Essa sim que transforma alma profana em coisa pura
Anseio por guerras, onde todos gritem até se fazer ouvir, deixem de ficar calados, conformados
Parem de viver presos em sentimentos ultrapassados
Porque no fundo ninguém quer isso, apenas se deixam contagiar pela hipocrisia e pelo medo de ser diferente
E com isso se tornam animais e não gente
Gosto da verdade, cultivo amizades, mas não escondo meu ser
Me embriago nas emoções e vou além dos pensamentos, para assim crescer
Adoro coisas mundanas, que todos têm vontade de fazer, mas falta coragem
Sim! Tenho desejos e fantasias sexuais que vão muito além do trivial, pura sacanagem
Por que o espanto? Sexo é saudável - não pode ser considerado uma droga,
Mas se fosse, então eu adoraria viver em constantes overdoses, seria minha yoga
Faço o que minha loucura manda por horas meu cérebro me comanda
Por outras quem sabe o coração que trace minha demanda
Não anseio por ser normal
Porque a loucura é meu referencial
O alucinógeno da minha alma simples mortal
Assim pelo menos tenho migalhas de uma vida
Que quem sabe não é vivida, apenas sobrevivida
Muito melhor viver assim despudorada
Do que ainda mais frustrada
Quero mais é transgredir regras, quebrar paradigmas, dogmas e falsos moralismos
Isso é viver aprisionado em escapismos
Se me apontarem o dedo, me condenarem por algo
Direi que não sou de nenhum reino para ser fidalgo
Ah me delicio com o simples prazer de pelo menos ter incomodado de alguma maneira
Que fiquem com suas cabecinhas pequenas pensando qualquer besteira
Quem sabe vocês também não tentam se entregar ao erro, às imprudências, aos vandalismos da vida?
E abandonem essa triste estrada até agora percorrida
Quem sabe expressando suas loucuras não descubram a verdadeira lucidez
E jamais deixem essas máscaras tomarem a vez
Sou um objeto impuro, gosto de ser usada pela volúpia, possuída por taras, fantasias e loucuras satânicas
Um doido monstro de águas oceânicas
Chame-me de imoral, me xingue dos mais feios e fortes palavrões
Não sou chegada a esses sociais bordões
Isso só vai me excitar e me servir de bálsamo para exaltar ainda mais minhas loucuras
Só incentivará para que sejam mais puras
Venham, vamos morrer juntos, para juntos vivermos, pois a vida é o mais absurdo dos acidentes
Vamos juntar em um único barco todos os dementes